A paixão é a supressão temporária da lucidez.
- Andreia Freitas Costa
- 18 de abr. de 2024
- 3 min de leitura

Sob o seu efeito tendemos a não perceber a realidade, substituindo pelas expectativas, que correspondem ao vazio que pretendemos preencher.
Toda paixão é adoecimento dos sentidos, o envolvimento com a realidade que nos apaixona, gera privações na nossa capacidade de entender e decifrar, portanto, cuidado para não tomar decisões importantes sobre o efeito de uma paixão avassaladora.
Esperar a poeira baixar, dar um tempo para que o sentimento não ofusque a capacidade de perceber e avaliar a realidade, colocando-os assim, no eixo da nossa capacidade de decisão, são atitudes inteligentes.
Nunca se esqueça, quando estamos apaixonados nós imaginamos mais do que enxergamos. Dominados por esse efeito, tendemos a não perceber a realidade.
Às vezes, por força da paixão, o castelo maravilhoso, que você está enxergando de longe é um casarão mal-assombrado, cheio de problemas estruturais quando vemos de perto.
Essa é a visão do Padre Fábio de Melo sobre a paixão, que muito inteligente vem de encontro com o que aprendemos cientificamente.
A paixão avassaladora, pode causar demência temporária.
Quase todas as religiões, baseiam-se no amor, como elemento primordial, para o ser humano atingir o seu potencial máximo.
Quando você se apaixona, os hormônios e neurotransmissores, produzem substancias e fazem o seu corpo agir de uma forma específica. Assim como a oxitocina e a vasopressina, que são os hormônios que atingimos durante a paixão e fazem-nos ficar ligados a uma pessoa, parecendo que essa pessoa é única é insubstituível.
Esses hormônios, ainda nos levam a motivação e prazer, sendo a mesma sensação de quando realizamos algo, que nos faz bastante felizes, da mesma forma de, quando adquirimos algo que queremos muito, quando ficamos satisfeitos por comer algo e até mesmo quando fazemos atividades físicas ou lemos um livro, ou seja, atividade que te motiva a repetir e repetir a ação.
A motivação da paixão está ligada ao hormonio dopamina, associada ao prazer. Durante o período da paixão tudo fica mais intenso, temos mais energia, mais desejo sexual, mais vontade de se aventurar e nós arriscamos para agradar a pessoa. Com efeito desses hormônios, chegamos ao que chamamos de círculo da recompensa.
Ainda dentro desse processo, contempla a redução da serotonina, que nos leva a obsessão e compulsão, que chamamos de Ideias Invasivas. Neste caso, ficamos com a ideia fixa, de que precisamos estar a todo o momento, ao lado da pessoa que estamos ligados, mas quando você eleva o nível de serotonina, o cérebro regula o nível de depressão e há uma tendência em reduzir os sintomas da paixão.
Para regular esse estado de paixão, precisamos contrair o cortisol, responsável por fazer, com que fiquemos mais inseguros e ansiosos durante o período que estamos apaixonados. Algumas pessoas chegam a perder o sono, por ficarem hipervigilantes durante esse processo, pois a paixão também eleva o estresse em respostas a esses estímulos.
Outra comparação ao estado de paixão é quando ingerimos bebida alcoólica, causando a mudança do nosso estado de inibição, quando a substância, não permite que pensamos nas consequências dos nossos atos, pois há uma tensão na parte do córtex pré-frontal do nosso cérebro.
Essa desinibição, reduz o controle das nossas ações, assim impulsionando atos que não faríamos normalmente, nos deixando inconsequentes. Essa conduta chamamos de hipermotivação demência temporária.
Mas fique tranquilo, porque por mais que seja avassaladora, ela é passageira e temporária, os estudos apontam que esse período dura no máximo de 12 a 24 meses.

Então, podemos concluir, que a paixão te deixa cego, eufórico, desajustado, mas que é um processo transitório, contudo, não tenha medo de se apaixonar, se apaixone quantas vezes for necessário, porque depois da tormenta vem o amor, ou não.
Mas a boa notícia é que você está aqui, lendo, se informando, e isso já indica que a paixão não encontrará um cérebro despreparado.
Por: Andréia Freitas Costa
Especiaista em Sexualidade e Saúde Íntima




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